ENTREVISTA EXCLUSIVA COM LUÍS ALBERTO, PRESIDENTE DO SISTEMA OCB/GO
“A Coopanest hoje é uma cooperativa sólida e presta um excelente serviço aos seus clientes”
Uma das mais representativas lideranças do cooperativismo no Brasil, Luís Alberto Pereira, presidente do Sistema OCB Goiás, destaca nesta entrevista o cenário atual do mercado e as oportunidades para crescimento das cooperativas, que têm participação de 10% do Produto Interno Bruto (PIB) de Goiás, que supera a casa dos R$ 330 bilhões. Ele pontua ainda os avanços e os desafios desse modelo de negócios, que só tende a crescer. Para Luís Alberto, os médicos anestesistas se unirem em cooperativa foi muito inteligente e o pioneirismo da Coopanest Goiás precisa ser ressaltado como inspirador, abrindo caminhos para cooperativas da área que vieram depois, como foi o caso da Unimed. A entrevista é uma animadora e inspiradora conversa sobre a milenar filosofia de que “a união faz a força” e o cooperativismo, por sua vez, concretiza sonhos e realizações profissionais, e, claro, move a economia com modelos mais inteligentes e justos de negócios.
Qual é a análise que a OCB Goiás faz sobre o atual mercado do cooperativismo no Brasil e especialmente em Goiás? Poderia também pontuar quais os avanços e os desafios que precisam ser superados?
- O cooperativismo, tanto no Brasil quanto em Goiás, ocupa uma posição bem relevante. Haja vista que só em Goiás nós representamos cerca de 10% do PIB (Produto Interno Bruto). Se você considerar que o PIB de Goiás está na faixa de 300 a 330 bilhões de reais, conforme previsão, nós administramos quase 20% desse PIB em ativos. Isso mostra a confiança que as pessoas têm no cooperativismo. É lógico que temos ainda alguns desafios a vencer. O principal deles é convencer as pessoas, motivá-las a usarem mais serviços e comprarem mais produtos de cooperativas. Mas estamos no caminho certo.
Como o senhor analisa o modelo de negócio cooperativista na saúde, em especial na área médica?
- O cooperativismo do ramo de saúde é muito interessante. É uma forma dos profissionais ganharem escala, acessarem alguns mercados que eles não podem ingressar trabalhando como pessoa física. Por exemplo, o mercado de corporações, empresas e até o setor público. Então, juntar essas pessoas em torno de uma cooperativa é inteligente e Goiás tem excelentes cooperativas que estão nesse caminho.
Quais as vantagens em ser um médico cooperado em um mercado tão competitivo e cada vez mais verticalizado?
- Ele poderá acessar um mercado maior, ganhar escala. O médico atuando como pessoa física fica em um universo mais restrito de pacientes. Trabalhando na cooperativa, esta acessa um mercado maior. Embora no ticket individual ganhe menos, mas no volume ele tem uma rentabilidade maior. Isso vale tanto para os médicos que estão na Unimed que prestam todo tipo de serviço, como aqueles que são especializados e que se uniram na Coopanest, que são anestesiologistas e prestam um serviço específico.
O senhor entende que nessa perspectiva há uma tendência de crescimento do cooperativismo nessa área, nesse mercado?
- Sim, pois todo o cooperativismo tem uma tendência a crescer à medida que as pessoas entendem o sentido da união. A filosofia de trabalhar em conjunto. Agora, existem também alguns desafios, como os dos custos que são cada vez mais elevados e de alguns clientes. Principalmente relativos a públicos que demoram um pouco mais a quitar as faturas. Mas a tendência é crescer e se desenvolver cada vez mais em Goiás e no Brasil.
A Coopanest é pioneira nessa área de cooperativismo médico no estado. Inclusive, inspirou a criação de outras cooperativas médicas. Como o senhor analisa o papel da Coopanest no mercado goiano atualmente?
- Os médicos anestesistas têm uma característica particular, porque em quase toda intervenção cirúrgica exige-se a presença de um anestesista. Então, eles se unirem numa categoria especializada foi muito inteligente e isso inspirou depois a criação da Unimed. Então, esse pioneirismo tem que ser ressaltado e hoje é uma cooperativa sólida e que presta um excelente serviço aos seus clientes.
Como é essa relação da Coopanest, que já tem seus 51 anos, com o sistema OCB Goiás e o Sescoop?
- A Coopanest e o Sistema OCB Goiás, incluído aí o SESCOOP, têm uma relação muito próxima e de parceria. Nós oferecemos muitos cursos de formação profissional, de especialização e a Coopanest sempre está participando. A Coopanest também nos demanda algumas ações e nós atendemos porque essa é a nossa função, essa é a nossa missão, inclusive nas ações sociais. A Coopanest está presente em todas nossas ações sociais, colaborando, participando e dando mais valor a essas realizações. Então, só temos a agradecer a Coopanest, aos seus diretores atuais e passados que não têm faltado com a OCB. Esperamos também retribuí-los, oferecendo aquilo que ela nos demandar.
Para finalizar, gostaríamos que o senhor deixasse uma mensagem para os nossos médicos cooperados. E também para aqueles que pensam em se cooperar, imbuídos do espírito de união para fortalecer cooperativismo aqui em Goiás.
- Primeiro quero deixar um grande abraço à diretoria da Coopanest, em especial ao presidente Haroldo, ao vice-presidente Wagner e ao diretor Antônio Carlos, e também a todos que os antecederam, bem como aos cooperados da Coopanest. São 51 anos de história. No ano passado eu estive lá na festa de 50 anos, fui homenageado e fiquei muito envaidecido e honrado. Agora convido a todos para comemorar o aniversário de 70 anos do Sistema OCB. Vamos continuar juntos pelo fortalecimento do cooperativismo em Goiás.
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